sábado, 16 de abril de 2011

UMA NOITE NO SAMBA DA VELA


Há tempos que não frequentava o Samba da Vela, e na segunda Feira que se passou (11/04), estive em Santo Amaro junto com o amigo e parceiro de boêmia Dodô, pra matar a saudade dos tempos em que frequentava essa roda de samba quando ainda era no 257 da Antonio Bento, no saudoso Ziriguidum, e posso dizer que ganhei a noite, e como das outras vezes, voltei pra casa carregado de emoção e de bons sentimentos, com uma vontade motivadora de compor algo novo.


O tempo passou e o samba mudou-se do Ziriguidum para a Casa de Cultura de Santo Amaro, tendo um samba explicativo intitulado "A importância da mudança" de Magno Sousá, relatando a importância e os avanços que tal mudança provocaria. E de fato a mudança provocou um novo "status" ao Samba da Vela, ganhando uma forte identidade cultural, valorizando o canto, a obra, o criador e o silêncio, que se faz necessário para que compositores e poetas possam expor suas canções e poesias de maneira a serem ouvidas por todos. Chapinha também retratou essa necessidade do silêncio em uma roda de samba, com a música " O silêncio é uma prece". Todos esses objetivos certamente já estavam traçados, mesmo que inconscientemente, desde os tempos das reuniões informais de seus fundadores, fazendo do Samba da Vela um expoente do samba paulista e brasileiro, sendo um dos principais responsáveis, embora alguns não reconheçam, da explosão e surgimento de comunidades e projetos de samba no Estado de São Paulo.

Realmente o tempo passou e como disse anteriormente a emoção proporcionada ao ver e ouvir tantos sambas bons foi extasiante, os bons sambas que ouvi nessa Segunda-Feira, dos quais destaco o lindo samba de Tito Santos e Gui Pirituba, o samba da Ana Elisa, o samba malandreado do Andrezinho Paraisópolis, o samba-rock delicioso de Nelson Papa e Petróleo, me fizeram lembrar os bons sambas que ouvia nos tempos em que era um frequentador mais assíduo, sambas dos fundadores Magno e Maurílio como "Amor a Vida" e "Minhas Andanças por aí", dos também fundadores Chapinha e Paquera, bem como o de outros bons compositores como Caio Prado, Selito SD, Adriano Carolo, Carvalho Netto, Sandro Japão, Azambuja, Pachequinho, Marquinho Dikuã, Vanderlei Mazzucato, Graça Braga, Edvaldo Galdino, Mano Heitor,os irmãos Vitor, Everson e Yvison e outros mais....


Essa grande noite ainda contou com a participação de um bom sambista carioca da nova geração, Leandro Fregonesi, que também mandou uma brasa, o samba "Vai na Fé" pra não quebrar a corrente.


Enfim, uma noite de samba, cultura, troca de informações e boemia que findou com um delicioso caldo de mocotó servido pela rapaziada da cozinha, responsáveis pelos "rangos" preparados no Samba da Vela, e como não podia faltar, a boa e gelada cerva que fomos tomar no bar da esquina.


Vale ressaltar também o encontro e bate papo com os amigos Valter Silva e Luizinho (com seu banjo fera).


E quando a vela se apaga a Comunidade realmente chora, mas com a certeza de que na próxima semana sua chama estará mais viva e reluzente em defesa do samba brasileiro.


Salve o Samba da Vela.


Serviço: CASA DE CULTURA DE SANTO AMARO

Dr. Francisco Ferreira Lopes, 434 Santo Amaro – São Paulo - SP

Todas às Segundas-Feiras – 20h30

Contribuição Voluntária: R$ 5,00



P.S. O links relacionados nos nomes acima, são apenas para aguçar o conhecimento daquele que venha ler esse texto, tais links não são relativos aos sambas apresentados no dia 11/04, exceto o samba do Leandro Fregonesi.

2 comentários:

MIGUEL disse...

Bons tempos quando frequentava o Samba da Vela, como você bem citou, foi um divisor de águas para o samba paulista, inspirador de quase todas as comunidades de samba hoje existentes no estado de São Paulo, reconheçam eles ou não, nós, que estamos no samba desde de os tempos do Patusco em São Caetano, ou do Biru's bar, sabemos a grande diferença que há hoje na divulgação de bons sambas e novas criações em relação aos tempos mencionados. Abraços Anderson!

Anderson Alves disse...

Salve Miguel....
verdade hein meu camarada, bons tempos aqueles em que frequentávamos várias rodas de samba em São Paulo, que nos trouxeram muitos ensinamentos e grandes amizades ao longo do tempo.

abraço